segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A gente te deseja



2015. Respira. 2015. Uma página em branco no computador. 2015. Espera. 2015. Aprendi que tudo deve ter um lado bom. 2015. Ainda dá tempo de aprender. 2015. E lá vamos nós outra vez, porque se há crise econômica, se o tempo não volta para evitar um atentado em Paris, uma chacina no Curió, um Cunha, uma Samarco, uma criança síria, que a gente possa aprender com tudo isso.

Que a gente possa olhar com mais otimismo o futuro, que a esperança seja nosso combustível para seguir em frente. Obrigada, Jana, pelas palavras naquele dia. E que saudades de conversamos mais! Que se do lado de fora está tudo caótico, que a gente se vire para dentro e se dê conta que ainda temos alguns braços acolhedores. Obrigada aos meus filhos pelo amor incondicional, pelo sorrisos e inocência. Isso me faz perceber que o que mais desejo é sempre voltar para casa. E que bom é ter para onde voltar!

Que a gente se apegue aos pequenos momentos, pois eles geralmente são os que nos aquecem o coração. Amor, obrigada por dançar comigo assim sem propósito no meio da sala, na multidão. Quero ainda ter muitas valsas imaginárias com você.

Que a gente lembre que o amor sempre dará frutos, que nada o impede de multiplicar. Assim, obrigada Camilinha por casar e fortalecer esse amor. Obrigada a minha irmã, por gerar mais uma pessoinha capaz de fazer a diferença.

Que a gente lembre que a responsabilidade de promover a mudança também é nossa. Obrigada aos que estão comigo no batente todos os dias, que compartilham as ideias, que se esforçam. Obrigada também, May e Elon, continuamos devagarinho, mas fortes e persistentes.

Que a gente seja capaz de perceber a fortuna que é ter pessoas por você. Obrigada, Neto, Vicente, Cartaxo e Glícia. Serei sempre grata e disponível para vocês. Que a gente se dê conta que em bando pode ser mais legal. Obrigada a Ju, Eugênia, Nataly, Jennifer, Guilherme, e todos que me tiraram de casa ou dividiram um pão quentinho na minha cozinha. Estarei sempre disponível.

Que a gente compreenda a necessidade de se reinventar. Obrigada, Sueli, por abrir meus olhos. Que a gente nunca perca nossas referências. Obrigada, Lalá, pela inspiração. Obrigada, mano, eu te amo e admiro. Obrigada, pai, por se aproximar, Obrigada, mãe, você é minha bússola.

E que em tempos difíceis não nos falte paciência, coragem e coração.

Feliz 2016.

domingo, 4 de outubro de 2015

Somos agentes da transformação





Meus amores,

no último mês a Ashoka (depois pesquisem sobre o lindo trabalho deles) divulgou a lista das oito escolas transformadoras do Brasil e a Escola Vila estava lá. Fiquei muito feliz com o resultado, mesmo só descobrindo há bem pouco tempo que essa lista existia.

Sabe, meus filhos, a escolha de uma escola para vocês nunca foi baseada pela distância casa colégio, índice de aprovações no vestibular ou infraestrutura tecnológica oferecida ao aluno. Foi algo muito bem pensado, casado com nossas expectativas e tudo que nós desejamos a vocês. Foi realmente um presente diário que quisemos proporcionar a vocês.

Eu e seu pai sempre nos preocupamos em torná-los mais humanos, sensíveis às pessoas, a natureza e a sociedade. Desde pequenos, minha maior preocupação foi torná-los cada dia mais gente, capazes de compreender o seu papel no universo e fortes o suficiente para superarem as dificuldades que surgem inevitavelmente no caminho.

Meus amores, acredito que temos que passar na vida de forma transformadora. Somos agentes de tudo que nos cerca e capazes de influenciar os acontecimentos ao nosso redor. Acredito que entrar na vida das pessoas significa comprometer-se também com a felicidade delas.

Meus filhos, sempre podemos ajudar. Aliás, colaborar deve ser uma das coisas que devemos ter sempre em mente. Nossa vida também é servir. Não estamos aqui apenas para buscar nossas próprios objetivos. Nossas ações, nossa palavra, nosso abraço, deve estar aberto ao outro.

Lembrem-se, meus queridos, não estamos sozinhos e por isso mesmo não adianta achar que somos autossuficientes. Dependemos de tudo que nos cerca e por isso mesmo também somos corresponsáveis por manter cada coisa em seu melhor estado. Por favor, nunca esqueçam disso.

Com amor,

mamãe.

* O que estava ouvindo: "Mountain Sound", "Dirty Paws", "Love, Love, Love" e "King and Lionheart". Todas de Of Monsters and Men.

domingo, 31 de maio de 2015

Abram os olhos




Meus amores,

às vezes vocês reclamam bastante das atividades que proponho para fazer com vocês. Geralmente, quando resolvo levá-los para uma exposição de arte ou apresentá-los a alguma história ou lugar interessantes, vocês fazem logo uma cara feia e dizem que eu só quero saber de coisa chata.

Meus filhos, eu não me sensibilizo quando vocês reagem assim. Bem...na hora eu respiro e me sinto contrariada, mas compreendo que às vezes é mais fácil ficarmos em nossa zona de conforto que experimentar algo novo.

Ah, Maria Flor, Lucas e Tom, a verdade é que vocês precisam aprender. Todos nós, o tempo todo. E não adianta acharem que conhecimento se mede pelo tanto de matéria que assimilam em cada semestre, porque caso fosse eu teria escolhido um outro tipo de escola para vocês.

Viver, meus pequenos, necessita de muita habilidade e de uma capacidade infinita de compreender o seu entorno e quem lhes cerca. Viver é buscar o tempo inteiro o limite entre o saudável e o veneno. É saber alimentar-se sem exagerar. É saber respeitar sem se anular. É saber brincar sem ser bobo.  É saber dizer sem machucar. É saber amar sem se perder.

E não há fórmulas, meus filhos, é vivendo que se vive. É experimentando que se aprende. Ninguém tira soluções para uma vida se não viveu. Quanto mais se ver, mais se conhece, mais artifícios temos para tirar da cartola uma solução para nossa vida e quem sabe para dos outros também. Afinal, a gente está aqui para contribuir também, não é?

Por isso, eu vou continuar lhes apresentando cores, sabores, lugares, pessoas. Porque nosso horizonte é infinito. Temos muito o que caminhar.

Com amor,

mamãe.

* O que eu estava ouvindo: Let Her Go - Passenger; Potinhos - A banda mais bonita da cidade.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Nossa! Meu filho é católico


Lucas,

no último final de semana você nos encheu de orgulho. Foi seu primeiro dia de catecismo e você voltou muito feliz de sua tarde na Igreja. Passou o resto do dia comentando sobre o que aprendeu e o tanto de "rezamento" (sim, você chama de rezamento as orações) que ainda tem que aprender. Isso, meu filho, pode parecer simples e corriqueiro para algumas famílias, mas para nossa foi algo incrível.

Para explicar melhor o porquê, voltemos nove anos atrás, época do seu nascimento. Filho, seus avós paternos e maternos têm tradição católica e logo que nasceu muito falaram a mim e seu pai para batizá-lo. Resistimos e até hoje nem você nem seus irmãos foram batizados.

Sabe, Luquinhas, não o fiz de maneira consciente. Eu e seu pai acreditamos muito em Deus, em sua existência e em como ele opera em nossas vidas. Eu acredito verdadeiramente no amor e no poder que ele tem quando transformado em ação. Muito me preocupo em ensinar a você, Maria Flor e Tom o valor da generosidade, do servir ao próximo, a lei da reciprocidade, do importar-se com o outro e com o planeta, de ser leve e não se apegar ao que é da terra. Porém, nunca me peguei tão preocupada em ensinar-lhes o jeito certo de rezar (e tem? Se não for pelo coração, não sei), de fazê-lo aprender as regras da Igreja Católica, de dizer como deveria ser sua fé.

Filho, desejo para você verdadeiramente o livre arbítrio, Meu papel aqui, eu creio, é mostrar-lhe as possibilidades da vida, as maneiras de agir diante do mundo e as consequências de suas ações. Como sua mãe, mostro-lhe todos os dias nossos valores enquanto família, mas não posso escolher por você.

Então, imagina Lucas, que felicidade e alívio ao ouvir de você um "mãe, eu quero fazer catecismo. Quero conhecer mais Deus e os rezamentos". Ah, filho, isso foi a certeza de que agimos certo, de que você nos ouve e opta por caminhar pelo bem, e como isso nos preenche.

Assim, meu filho, a cada dia vou percebendo meu lugar de torcida em sua vida. A cada passo e escolha que você faz sozinho me mostra o homem que você está se transformando e vai me restando a arquibancada. Feliz, porque eu estarei na primeira fila sempre.

Com amor e orgulho,

sua mãe.

*o que eu estava ouvindo: Lake Michigan, de Rogue Wave; Step Out, de Jose Gonzalez; Stay Alive, de Jose Gonzalez.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Não desista do Brasil

 
 
 
 
Maria Flor,
 
esta semana estávamos zapeando os canais da TV quando paramos por alguns minutos em um noticiário desses que passam todas as noites. Depois de ouvir algumas manchetes você olhou para mim e me surpreendeu com a pergunta: "mãe, por que eles dizem tantas besteiras?". Incrível, filha, como você aos quatro anos, já tem o pensamento perspicaz para algumas coisas.
 
Flor, atualmente vivemos um momento delicado no Brasil. Nossa política, economia e sociedade estão passando por mudanças e nem sempre isso agrada a todos. Você já ouviu muita gente reclamar do Governo, mal educadamente xingar nossa presidente e ameaçar sair do país porque não acha justo pagar tantos impostos em benefício de um sistema corrupto.
 
Meu amor, eles esquecem que um país é feito por seus cidadãos. Esquecem que furar fila, não respeitar o código de trânsito, dar carteirada para burlar leis, também é corrupção. Flor, tem muita elite fazendo panelaço para manter suas empregadas domésticas mexendo em suas panelas a preço de uma cama, de comer na cozinha e "passear" de branco no shopping atrás dos patrões.
 
Minha princesa, elas ignoram que todos temos direitos, da criança que nasce em berço de ouro ao trabalhador rural do sertão dos Inhamuns. Cada cidadão, Maria, tem o direito de ter oportunidades de estudar se assim quiser, de manter-se no campo se assim deseja, de poder comprar sua casa, de um transporte de qualidade e tantas outras necessidades que tornem a sua vida digna e feliz.
 
Porém, para que isso aconteça, é preciso lutar. A eterna luta de classes apregoada por Karl Max (se você ainda não tiver lido, procure conhecer sua obra, lhe ajudará bastante). É preciso, filha, que cada um de nós exerçamos nosso papel como responsáveis por isso. Não basta, Maria Flor, apenas pagar impostos e votar durante as eleições. Precisamos praticar em nosso cotidiano, abdicar de alguns direitos pelo outro, sermos corretos e realmente justos. Meu bem, você, seus irmãos e cada um de nós somos fundamentais para um país melhor.
 
E para sermos justos com toda a situação, não está fácil. Ainda vemos corrupção na política, pessoas agindo de má fé. A energia elétrica aumentou, o dólar também, talvez não dê certo aquela nossa viagem de final do ano. Tem problema não, filha, vai passar, ficará melhor.
 
Com amor,
 
sua mãe.
 
* O que eu estava ouvindo: Sweet Dreams - Marilyn Manson; Budapest - George Ezra; Green Hair - Supla; Janta - Marcelo Camelo e Mallu Magalhães; Heartbeats - José Gonzales

quarta-feira, 4 de março de 2015

Vamos falar sério

 

Lucas,
 
Você tem nove anos, é uma criança e guarda ainda muito da inocência em seus julgamentos. Mesmo assim acho que está na hora de termos uma conversa séria. Vi que apesar de toda essa pureza, você já percebe muita coisa e demonstra cada vez mais interesse em discutir a construção de uma sociedade mais justa. Saiba que eu e seu pai valorizamos muito essa sua qualidade e sempre lhe incentivaremos a seguir nesse caminho.
 
Hoje falamos sobre homossexualismo. Pensei muito se deveria abordar esse tema com você. Realmente me pego a pensar se a melhor maneira de formar uma opinião positiva em você e seus irmãos é agindo com naturalidade, não tocando no assunto, simplesmente vivendo. Mas diante de uma sociedade que todos os dias grita seus preconceitos, de várias formas, das mais agressivas às travestidas de inocentes, achei melhor deixar bem claro alguns pontos.
 
Filho, você chegou da escola e eu resolvi lhe mostrar o clipe "Take Me To Church", do cantor irlandês, Hozier. No clipe aparecem cenas de um casal homossexual se beijando e sendo perseguido por um grupo de rapazes encapuzados e selvagens. Não te contei do que se tratava até que você assistisse por completo. Quis ver sua reação, saber a sua percepção sobre o que estava assistindo. Ao final, ao perguntar sobre o que achou, você me responde com uma pergunta: "Mãe, por que eles estão sendo vândalos?".
 
Luquinhas, essa é exatamente a questão. Questione sempre a violência, nunca o amor. O amor, meu menino, é sempre louvável, independente de como se apresenta. Todos nós temos o direito de amar, de vivermos o que somos, de constituir família e não precisar se esconder.
 
Todos nós temos o dever de respeitar o próximo, de não invadir sua liberdade, de não julgar o outro sob nossas crenças. Saiba, meu bem, compreender que seu pensamento é apenas uma face da verdade e que outras verdades podem coexistir sem incômodo.
 
Mantenha-se dessa forma, perplexo diante das agressões. Não acostume-se com as injustiças, não ache qualquer preconceito justificável. E lembre-se que o nosso Deus acolhe a todos, sem distinção.
 
Com muito amor,
 
mamãe.
 
* O que estava ouvindo: "Take Me To Church" - Hozier; "We Can't Stop" - Miley Cyrus; "Someone Like You" - Adele; "Addicted to You" - Avicii 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Siga, respire fundo e encare.

 
 
 
Lucas,

já há algum tempo você tem pesadelos e medos que não lhe deixam dormir bem certas noites. Nestes dias, você costuma me chamar ou ir logo correndo para meu quarto, buscando proteção entre mim e seu pai. Porém, eu nunca permito que você fique entre meus lençóis, em certos momentos sou dura e até mesmo peço que volte ao seu quarto, pois está tudo bem.

Filho, peço que você não me julgue mal. Não ajo dessa forma porque não me importo com seu bem estar ou porque não me preocupo o suficiente. Nada disso. Esta foi a forma, meu amor, que eu encontrei para lhe ensinar que é preciso coragem.

Luquinhas, quando soube que estava grávida de você também me bateu um medo enorme. Por mais que soubesse que eu iria adorar ser sua mãe, naquele momento a notícia da sua chegada foi de me tirar o chão. Discuti com seu pai, tracei todos os caminhos possíveis, desabafei com dois amigos até me dar conta de que o medo poderia me levar por uma caminho que não gostaria de trilhar. Assim, filho, quando percebi o que estava acontecendo cheguei a conclusão que o melhor seria encarar.

Sabe, filho, eu não me arrependo em nada da minha decisão. Junto com a atitude de encarar me veio transformações internas profundas. Me trouxe um outro mundo, novas possibilidades e a certeza de que eu sou capaz de enfrentar muito mais do que eu julgava ser antes de tudo.

Lucas, toda essa história é para te dizer que medo todos nós sentimos. Não há vergonha ou fraqueza em sentir-se inseguro. Porém, é preciso coragem para enfrentar, é preciso seguir em frente, superar-se. Só dessa forma, filho, só encarando é que você conhecerá o outro lado da vida, só enfrentando algumas chuvas que você conhecerá o arco-íris. E eu lhe garanto, por experiência própria, que a gente sai do pesadelo ainda mais fortalecido, cada dia mais corajoso e sempre maior.
 
Não se preocupe, Luquinhas, eu também te garanto uma outra coisa: você não precisará estar aninhado em minha cama para que eu te sirva de remédio toda vez que uma "dor" insistir em não passar. Eu, meu filho, sempre irei lhe velar, meus ouvidos estarão atentos ao seu menor sussurro. Eu estou com você, PARA SEMPRE.
 
 
Te amo,
 
mamãe.
 
* O que eu estava ouvindo: Janta (Mallu Magalhães e Marcelo Camelo); Heartbeats (José Gonzales); Tocando em frente (Almir Sater); Hero Kensan (Drew Danburry).

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Não estique seu cabelo





Maria Flor,

você com certeza não viu, mas na semana passada o assunto que "quebrou" a internet foi o bumbum da Paolla Oliveira. Achei engraçado, porque pra mim, isso só me prova que enquanto sociedade ainda vivemos o "frescor" da adolescência e seu frisson pelos corpos desnudos. Mas, filha, esse não é exatamente o assunto pelo qual lhe escrevo, você mesma viverá esse momento e eu só espero que seja com um pouco mais de moderação do que alguns jovens que vejo por aí.

Na verdade, para além da bunda da Paolla (nada contra), as reações e abordagens, de pessoas próximas a veículos de comunicação, foram o que mais me chamou atenção. Já faz um tempo (e bastante porque ainda me lembro da época de criança) parece ter ficado decidido, quem não tem um bonito par de glúteos, um cabelo liso e loiro, cintura fina, um corpo esguio e outras exigências, está fadado a ser um pouco menos bonito que os demais. E assim, porque todo mundo quer estar no grupo mais amado, haja comparações cruéis, cobranças e tratamentos estéticos que prometem transformar todas em Paolla.

Filha, mas as coisas não são nada assim. Acredite, há outras belezas, outros formatos, outros encantos. Por favor, não caia no canto da padronização, que nos impõe o peso, formato de corpo, cor de cabelo, tamanho de peito. Maria Flor, não estique seus cabelos.

Saiba, meu amor, que todos nós temos beleza. Que cada ser humano é único, que nosso valor não está na casca e que toda aparência se torna atraente quando o que sai de dentro é verdadeiro e natural.

Maria, vista-se de sorrisos largos, de uma simpatia sincera. Aceite seu jeito, suas formas, sua cor e maneira de falar. Não mude pelos outros. Não se deixe enquadrar em padrões. Assuma-se para não viver na escravidão de quem persegue um sonho que não é o seu. Não desperdice os prazeres de
ser quem é.

Mude, mas só se valer à pena. Se for por você, se quiser. Cuide da saúde, mantenha sua chama vital. Ame-se minha filha, e não repuxe seu cabelo.

Com carinho,

mamãe.

Trilha sonora: A Sky Full of Stars (Coldplay); Prayer in C (Lilly Wood & The Prick and Robin Schulz); Stay with Me (Sam Smith).

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Da anarquia que nos trazem as crianças



Lucas, Maria Flor e Tom.

2015 começou e achei este um ano lindo para recomeçarmos por aqui. Os últimos meses foram de grandes mudanças. Apesar de não ter parecido, nenhum de nós passou ileso, e deixamos 2014 com transformações profundas em nossa alma. Por isso, uma nova fase, novos capítulos aqui começam a ser escritos.

Meus amores, vocês estão crescendo, compreendem, cada um a sua forma, o que se passa ao redor. Eu e seu pai ficamos felizes por isso e por toda essa diversidade de pensamento que temos em casa. Apesar de os conduzir pelo mesmo fio condutor, não temos a pretensão de padronizá-los, nem fazê-los repetir a nossa história. Queremos apenas marcá-los com valores que achamos corretos e que acreditamos que irão levá-los para uma vida mais feliz.

Capitaneado pelo Lucas, ultimamente vocês uniram-se pelo questionamento das regras e a reivindicação da liberdade. Para ser sincera, esse movimento insurgente tem nos provocado um certo desconforto, principalmente a mim, confesso. Até então estávamos acostumados com crianças que obedeciam quase cegamente aos nossos comandos. Mesmo assim, não preocupem-se, o anarquismo trazido por vocês  é saudável e nos faz refletir sobre regras bobas como não se permitir a um sorvete em plena quarta-feira à noite.

Filhos, regras são apenas processos que devem tornar nossa vida mais organizada e prática, e não um mecanismo que nos torna escravo de qualquer coisa. A disciplina implantada aqui em casa não tem o objetivo de torná-los mecânicos, enformá-los em atividades cronometradas e sem criatividade. Pelo contrário, a ideia é nos organizarmos para tornar possível o viver de cada um de nós, dar espaço para que o outro possa embarcar numa aula de música, no balé, cumpra o horário do trabalho e que vocês mantenham o bom humor por meio de horas de sono necessárias. Não tenham pressa, não se preocupem, um dia vocês compreenderão, a vida com seu próprio desenrolar lhes proporcionará esse aprendizado.

Mas por enquanto, sejam crianças. Vivam a rebeldia de quem não tem compromisso com nada além da alegria. Nos resgatem da sisudez dos adultos e dos compromissos de gente grande. Nós, seus pais, também precisamos disso.

Com amor,

mamãe.

Trilha Sonora: Partículas de Amor - Lucas Santtana; Para o Inverno Passar Depressa - Leo Fressato ; On Top of the World - Imagine Dragons.