quarta-feira, 21 de agosto de 2013
180 dias com ele
Nunca passei tanto tempo assim junto de alguém. Nem com o Cacá, que estamos há uns dez anos unidos, é ou foi esse chamego todo. Mas seu cheirinho, cada dobrinha gostosa, suas bochechas, fizeram esses meses todos passarem muito rápido ao seu lado.
O Tom foi o escolhido. Não por mim, claro, porque entre meus filhos, sem demagogia, não há preferidos. Mas a sua chegada foi num momento de sincronia, onde minha casa, meu trabalho, meu orçamento e principalmente, minha alma, estavam preparados para recebê-lo mesmo que eu não soubesse ainda.
Foram 180 dias de licença-maternidade para quem está de fora. Para mim foi uma jornada. Neste período muita coisa mudou e eu descobri habilidades que em outro momento eu poderia jurar que nunca as desenvolveria. Respirei fundo, milhões de vezes para não enlouquecer. Fiquei mal-humorada e fui grosseira em diversas ocasiões. Mas também colhi frutos positivos desse caminho todo. Descobri que posso dormir ainda menos e no dia seguinte matar um leão se precisar. Desenvolvi a paciência de deixar de lado a minha vontade para entender o tempo do outro, a necessidade de apenas aguardar até que seu filho chegue aonde tem que chegar.
Tive ainda mais certeza de que organização e disciplina é a chave do negócio se você quiser dar conta de três crianças sem deixar nenhuma na mão. E que vivenciar o verdadeiro sentido de "viver em família", onde todos estão por um, unidos e celebrando juntos, é uma saída para tornar o "ser dona de casa" prazeroso.
Aprendi diversas receitas e acordei o mestre-cuca que existe em mim. Elaborei cardápios variados e me diverti muito fazendo e servindo para as crianças.
Dei conta de trabalhar também, mesmo que de longe e por telefone algumas vezes. E não achando pouco, montei parceria com a minha irmã para um novo negócio, porém muito mais haver com o que vivo atualmente.
Aliás, tive tempo para refletir muito sobre a rotina da minha vida e como encaixar mais alguém quando tudo voltar ao normal. Percebi que há muito mais coisas que eu quero realmente fazer e vi que preciso desacelerar para tornar meus novos sonhos possíveis. A gente passa quase a vida inteira se doando para os outros, seja pessoal e profissionalmente falando, mas eu preciso de mim para ser feliz.
Passar os dias com ele, sem ter que me preocupar se hoje é segunda ou esperando a sexta-feira, me fizeram questionar porque tenho que pensar que apenas os finais de semana são dedicados ao prazer e que eu quero todo dia me divertir, estar com os meus, curtir um pouco de ócio e sair da rigidez. Não, e não é filosofia barata ou utopia. É possível e eu já estou indo atrás.
É, mas por enquanto, eu terei que me separar. Agora eu volto, diferente e com outros planos. Muito obrigada, Tom!
sábado, 27 de julho de 2013
Desisti do meu sofá!
Eu desisti do meu sofá, agora as crianças podem aprontar. Não que eu não coloque regras e não as ensine organização, limpeza e zelo pelas coisas. Mas existe uma bagunça, aquela inerente a todas as crianças, que eu não quero domar e não quero vencer. Minha casa não tem brinquedos espalhados pelo chão, as crianças cuidam de seus guarda-roupas, ajudam na arrumação das coisas e tal, mas é quase impossível controlar um exército de baixinhos.
O sofá, por muito tempo, foi território inimigo para eles. Claro que por algumas vezes foi bombardeado com leite, suco, resto de comida, caneta e tinta, mas sempre que isso aconteceu houve retaliação e eles aprenderam a lição.
Porém, alguém aqui já pulou no sofá? Brincou em cima da cama? Usou as panelas de verdade para fazer comida de areia? Eu já! Fui uma criança que aprontou muito, a que mais fez dos três irmãos e me lembro até hoje o quanto é divertido tudo isso. Não posso negar, é muito bom!
Então, um sofá, no meio da casa, fofinho, cheio de almofadas é um verdadeiro convite para a insubordinação. Óbvio que neste caso, eu continuo reclamando, porque eu sou daquelas mães que acreditam que filho precisa de regra, mesmo que, em alguns momentos, seja apenas a sensação de que ela exista. Os pais precisam manter a imagem!
Mas as crianças são crianças. Elas precisam se danar, precisam errar, precisam se divertir. Não da para cobrar seriedade o tempo todo dos nossos filhos. Isso não faz parte do papel deles. Eles vão crescer e vão perder o interesse por este móvel gigante e cinza do meio da sala, e então, se este não sobreviver, a gente compra outro e aí fica tudo bem.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Surpresas na mochila
Todos os dias eu abro a mochila do Lucas e confiro suas tarefas. É uma atitude de rotina, saber se ele fez a tarefa, como anda sua organização e o que está aprendendo. Porém hoje, para além das lições de português, matemática e história, descobri que uma das lições mais bonitas e profundas começa a fazer parte do seu dia-a-dia escolar, o amor.
Em meio a livros e cadernos estava lá um bilhete que dizia "SOU SUA ADMIRADORA SECRETA". Luquinhas quando viu, ficou achando graça. Eu ainda perguntei se ele sabia quem era, mas ele sequer suspeitava de alguém. Nenhuma pistazinha no papel.
Mas Lucas, criança, ainda não entendeu o valor do amor. Ah se fosse eu, não tinha saído para jogar!
Em meio a livros e cadernos estava lá um bilhete que dizia "SOU SUA ADMIRADORA SECRETA". Luquinhas quando viu, ficou achando graça. Eu ainda perguntei se ele sabia quem era, mas ele sequer suspeitava de alguém. Nenhuma pistazinha no papel.
Mas Lucas, criança, ainda não entendeu o valor do amor. Ah se fosse eu, não tinha saído para jogar!
quarta-feira, 1 de maio de 2013
O primeiro email inesquecível que recebi
Na onda das tecnologias, resolvi me envolver de vez e inserir o Lucas no mundo digital. Assim, achei que seria muito interessante criar uma conta de email para ele (claro que sob minha supervisão). Com uma conta de email, a ideia original era fazê-lo ter mais contato com as pessoas que gosta e estão distantes e de quebra treinar o português.
Lucas ficou maravilhado. Passou o dia trocando emails com a avó, a tia, os primos e o seu pai. Mas eu só não imaginava que essa "aventura" seria tão emocionante. Emocionante sim, porque ele saiu distribuindo gentilezas para todos e a primeira a receber foi eu.
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O primeiro email inesquecível, foi eu que recebi!
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Detalhe: Eu sou a melhor cozinheira da casa!
domingo, 14 de abril de 2013
Super mãe
Eu gasto em média 40 minutos para tomar banho (tá, não é um tempo politicamente correto, mas juro que cuido do meu passivo ambiental). Esse é o tempo que eu uso para lavar o cabelo, cuidar do corpo, usar meus cremes, relaxar e tudo o mais que eu julgo merecer para sair bela do chuveiro.
Bem, pelo menos 40 minutos era o tempo que eu gastava, porque há cerca de um mês e meio, eu tenho que agradecer se conseguir dez minutos só para mim. Atualmente, desde que Tom nasceu, me transformei em uma maratonista e venho quebrando recordes de banhos e refeições cada vez mais rápidos.
Neste último mês, desenvolvi técnicas eficientes de como arrumar a casa, ler, usar a internet enquanto o bebê mama, como usar uma única mão para prender o cabelo, entre outras habilidades. Além disso, visão e audição ficaram muito mais aguçados e fazem inveja até ao Homem de Ferro.
Hoje, escuto uma agulha caindo no chão do quarto das crianças, consigo entender o que cada um dos meus filhos estão falando - mesmo que gritem todos ao mesmo tempo, e sei exatamente o que está acontecendo em qualquer cômodo da casa.
Ser mãe não é fácil, ser mãe de recém-nascido, então, é uma verdadeira aventura. Exige paciência, doação e muitas, muitas horas acordado. Mas para além dos poderes de Mulher Maravilha que adquirimos, a memória curta é o ponto fraco que nos permite continuar todos os dias e guardar na lembrança apenas os momentos de sorrisos, risadinhas gostosas e bochechas redondinhas.
Bem, pelo menos 40 minutos era o tempo que eu gastava, porque há cerca de um mês e meio, eu tenho que agradecer se conseguir dez minutos só para mim. Atualmente, desde que Tom nasceu, me transformei em uma maratonista e venho quebrando recordes de banhos e refeições cada vez mais rápidos.
Neste último mês, desenvolvi técnicas eficientes de como arrumar a casa, ler, usar a internet enquanto o bebê mama, como usar uma única mão para prender o cabelo, entre outras habilidades. Além disso, visão e audição ficaram muito mais aguçados e fazem inveja até ao Homem de Ferro.
Hoje, escuto uma agulha caindo no chão do quarto das crianças, consigo entender o que cada um dos meus filhos estão falando - mesmo que gritem todos ao mesmo tempo, e sei exatamente o que está acontecendo em qualquer cômodo da casa.
Ser mãe não é fácil, ser mãe de recém-nascido, então, é uma verdadeira aventura. Exige paciência, doação e muitas, muitas horas acordado. Mas para além dos poderes de Mulher Maravilha que adquirimos, a memória curta é o ponto fraco que nos permite continuar todos os dias e guardar na lembrança apenas os momentos de sorrisos, risadinhas gostosas e bochechas redondinhas.
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