Todos os primeiros dias de aula são emocionantes quando se é mãe. No dia anterior a gente encoraja nossos filhos, prepara bolsas, tira as dúvidas, minimiza os medos, controla a ansiedade, deixa tudo pronto e... se esquece de nós mesmas. Daí, na hora H estamos nós, arrasadas, seja porque eles entraram na sala e nem se despediram, seja porque nos olharam com aqueles olhinhos que dizem: mãe, não me deixa aqui. Os meus já não fazem mais isso, mesmo tão pequeninos, já estão devidamente acostumados e ambientados à escola. E eu também. Mas mesmo assim, sempre me emociono ao ver aquelas mães, às vezes tão controladas, chorarem por algo que deveria ser normal.
É, deveria, mas não é. Naquele momento, a gente aprende aos poucos uma das maiores lições que uma mãe pode levar consigo: os filhos são do mundo. E é para o mundo que nós os educamos todos os dias. Sempre falo quando tenho oportunidade que nós devemos aproveitar o máximo o convívio com nossos pequenos, pois quando menos esperamos, ou mesmo quando nem preparados estiverem, eles vão querer caminhar sozinhos. Lucas tem cinco anos, e apesar da pouco idade, já há algum tempo insiste em dizer que quer morar sozinho quando for "adolescente". Maria Flor, no auge do seu apenas um aninho, já anda independente e ousada por aí.
Eu imagino sim, como cada mãe que chora deve se sentir. Eu vejo meus filhos crescerem, vejo a desordem que eles fazem na minha vida, a bagunça pela casa, a gargalhada gostosa, as perguntas de criança e penso: daqui a tão pouquinho nada disso será meu. Outro dia, uma mãe de adolescente disse-me que viu um bilhete da namorada do seu filho onde estava escrito "você é todinho meu". E ela me falou como isso mexeu com ela. Minha mãe, que a tanto tempo já não tem seus filhos em casa, sempre fala da saudade de ter seus filhos pertinho e de um certo vazio deixado pelas crias.
Mas os filhos vão nos esnsinando aos poucos a lidar com essa perda. Uma hora é a escola, depois decidem quais roupas vão vestir, com um certo tempo passam a dar suas próprias opiniões, não querem mais sair conosco, até o dia em que nos comunicam que vão sair de casa. E mesmo assim, a gente demora a perceber que eles não são aqueles pequeninos que deixávamos na porta da escola e nos estendiam a mão para caminharmos juntos.
É mesmo muito difícil imaginar que um dia não saberemos mais tudo o que se passa com eles, que não vamos mais poder decidir, ou não nos caberá opinar sobre algumas das suas escolhas. Mas para esse momento, eu aprendi uma coisa com a minha mãe: que devemos criar portas e deixá-las abertas. Há sempre o dia em que eles nos visitam, compartilham e nos convidam a participar. E com amor, compreensão e presença, nós os ensinamos o caminho onde possam nos encontrar.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Da série Lucas, o filósofo infantil
Luquinhas ao ser perguntado porque nós amamos a Maria Flor, já que ela é um bebê que não fala direito, faz cocô na fralda e chora de vez em quando.
"Porque ela é bonita, engraçada e fofinha".
"Porque ela é bonita, engraçada e fofinha".
Ao Cacá
Um das piores coisas para mim ainda é um papel em branco. Encará-lo sem saber como preenchê-lo, ter o que dizer sem saber como traduzí-lo e nada acontecer. Esse sempre foi meu desafio! Por isso escolhi ser jornalista, para enfim dominar a escrita e dialogar com o mundo. Com o tempo percebi que o que escrevo nunca teve muito haver com a técnica, e sim com o que eu tinha no coração. Meus rabiscos infantis, livrinhos e diários estão mais cheios de mim do que qualquer matéria de jornal ou release escrito.
Mas hoje, dia de seu aniversário, nem a técnica, nem o coração, nem o pensamento, fazem transmistir no papel o tanto de sentimento e a importância de você em minha vida. Ficar sem palavras talvez seja a maior demonstração de quem é você para mim e de como nossa relação continua desafiante e instigante. Decifrá-lo continua sendo meu objetivo.
E para quando as palavras falham, só restam os gestos e os olhares e é para você que tudo isto está guardado.
Te amo.
Sua esposa.
Fortaleza, 05 de janeiro de 2012.
Com o tempo percebi que o que escrevo nunca teve muito haver com a técnica, e sim com o que eu tinha no coração. Meus rabiscos infantis, livrinhos e diários estão mais cheios de mim do que qualquer matéria de jornal ou release escrito.
Mas hoje, dia de seu aniversário, nem a técnica, nem o coração, nem o pensamento, fazem transmistir no papel o tanto de sentimento e a importância de você em minha vida. Ficar sem palavras talvez seja a maior demonstração de quem é você para mim e de como nossa relação continua desafiante e instigante. Decifrá-lo continua sendo meu objetivo.
E para quando as palavras falham, só restam os gestos e os olhares e é para você que tudo isto está guardado.
Te amo.
Sua esposa.
Fortaleza, 05 de janeiro de 2012.
Assinar:
Postagens (Atom)