- Quando seus filhos nasceram, como foi para você conciliar o trabalho com as tarefas de mãe?
A primeira gravidez foi mais tranquila em relação a isso. Na época eu trabalhava apenas um expediente, então podia me dedicar mais ao bebê no período da tarde. Depois é que tudo mudou, quando comecei a trabalhar mais pesado, com maiores responsabilidades e comprometimento no trabalho, porque aí foi o momento que realmente precisei conciliar bem os horários. Para isso, até hoje conto com o que eu chamo, brincando claro, de terceirização da educação. Durante o período de trabalho, as crianças estão na creche, tempo integral. Nos momentos em que a escola não dar o suporte, tenho a minha mãe, que é imbatível, praticamente meu terceiro braço, olho, tudo,...
- O que foi mais difícil na hora de voltar ao trabalho? Qual foi sua alternativa com as crianças quando voltou ao trabalho?
Gosto muito de ser mãe e priorizo isso na minha vida. No entanto, não consigo ter essa vida mais no lar, voltada só para a família, porque se eu passo muito tempo sem produzir ou pensar em outra coisa, enlouqueço mesmo, fico mal humorada, chata, insuportável, e acabo enlouquecendo o outro junto. Então a hora de voltar ao trabalho é sempre muito feliz, mesmo que eu tenha curtido bastante a licença maternidade e meus filhotes. Para mim, o difícil mesmo nessa hora é organizar a rotina. Quando você tem o primeiro filho é mais fácil, porque é só um a mais para encaixar na rotina. No meu caso, serão logo logo três, cada um com necessidades específicas, idades diferentes, comportamentos diferentes e tal. Mas é tudo uma questão de criar uma rotina, você tem que organizar mesmo os horários, uma sistemática, para que a coisa dê certo.
A alternativa é sempre a escola em tempo integral. Não gosto de babás, prefiro sempre um local profissional, que ofereça atividades enriquecedoras aos meus filhos, o contato com outras crianças.
- Se arrepende de alguma iniciativa tomada na época que voltou ao trabalho e que não deve repetir com o Tom?
Eu sempre fico pensando que no próximo não vou me estressar tanto no período que fico em casa, de licença maternidade. Porque passa tão rápido e eles crescem ligeiro,...nossa já estou no terceiro e ainda me lembro como se fosse hoje do Lucas (meu primeiro) bebê em casa.
- O que você fez para tentar suprir qualquer ausência que achou que as crianças pudessem sentir?
A primeira coisa foi a decisão de não ter babás. A gente chega cansada em casa, o ritmo que nós vivemos hoje em dia é puxado mesmo, e entendo, de certo modo, aqueles pais que chegam cansados e acabam passando para a babá a tarefa do banho, da brincadeira, da hora de dormir,... Sem babá, mesmo cansados, eu e meu marido nos obrigamos a fazer isso. Não tem ninguém além de nós! Então, diariamente, há o tempo que estamos com eles, os arrumamos para ir à escola, acompanhamos o banho, as conversas sobre o dia, jantar, hora de dormir, tudo. Nós é que estamos ali.
Além disso, é muita abdicação. Temos consciência de que nós somos os pais e é nossa responsabilidade orientar, educar, suprir as necessidades emocionais e físicas. Então, a gente dedica praticamente todo nosso tempo livre a eles. Às vezes eu deixo de ir a um salão de beleza no final de semana, porque vou perder o tempo que tenho par ficar com eles, e outras coisas do tipo.
- Que dicas você dá para a mãe que está passando por uma situação semelhante (tendo que voltar ao trabalho com bebê pequeno em casa).
Meu conselho é organização. A gente precisa ter horários definidos, regrinhas básicas, para facilitar as coisas. A rotina é bom para o dia-a-dia e até para a educação das crianças é ótimo, porque elas mesmas ficam mais tranquilas sabendo o que as espera.
Se optar por uma escola, certifique-se de que você se identifica com o local, os valores,...,para você confiar. Mesmo assim, participe. É cansativo, mas fundamental!
No mais, ter em mente que todas essas dificuldades uma hora passam também é legal, porque isso é certeza. Uma hora nossos filhos vão conquistando a própria liberdade e a gente acaba com saudade do tempo que eles eram bem pequenininhos. Nunca se dedicar e priorizar nossos filhos é um esforço em vão. Vale a pena!