“Luquinhas,
Quanto tempo já se passou desde que você nasceu. Esta semana
você completou oito anos e de repente eu me dei conta que o tempo vai lhe
tirando aos pouquinhos de mim e lhe entregando para a vida. Você surgiu com
essa ideia de viajar sozinho no final de semana e realmente foi, sem
pestanejar. Eu o deixei ir, não poderia lhe prender a mim e as minhas próprias
ansiedades, mas confesso filho, que passei o final de semana pensando se você
dormiu direito, não se sentiu sozinho ou estava com algum problema.
Que besteira a minha, você voltou mais cheio de histórias,
mais coragem e mais planos que não cabem a mamãe. É isso aí, é o clichê, “os
filhos são para o mundo”, se tornando realidade sem a gente nem se dar conta.
E eu já deveria saber, você nunca foi diferente. Desde
pequenininho tão independente! Sempre nos disse que iria morar sozinho, viajar
para todos os lugares, seria aventureiro. “Mãe, eu sou radical”! E eu acredito filho, que você seja tudo isso.
Acredito que a gente nasce com uma marca no coração. Essa é a sua, ser livre.
Mas sabe o que me consola toda vez que você me mostra que
cresceu mais um pouco? Uma conversa que tivemos quando você era ainda
menorzinho. Você me pediu certa vez: “mãe, quando eu morar sozinho, você pode
morar perto de mim? Para a gente se falar todo dia”.
Claro, filho. Nós vamos estar sempre juntos, de todo jeito.
Te amo”.