Criança tem prazo de validade. Quando vejo pais, por aí, impacientes, desequilibrados e cansados com seus filhos, eu me pego a pensar nos meus. Um dia não haverá mais barulho pela casa, crianças correndo desordenadamente por entre os cômodos, não haverá brinquedos espalhados para todo lado, nem brigadeiro e outras guloseimas escondidas na geladeira.
Daí, já me dá um aperto no peito e me bate aquela saudade prematura, resultado de uma futura síndrome do ninho vazio. Se há alguns anos, logo depois de meu primeiro filho nascer, eu desejava que aquele momento passasse logo; hoje tudo o que eu gostaria é que as bochechas deles não desaparecessem. Pensar que um dia eu não precisarei mais acalentá-los durante a noite, levá-los até a porta da sala, dar banho, vestí-los e até limpar bumbum, me faz perceber o quanto é necessário viver este momento hoje, pois se não podemos vencer o tempo, que as lembranças sejam eternizadas na memória.
Se eu me arriscar a dar algum conselho para os pais recentes ou futuros, será a lição da paciência, da dedicação ao seus filhos e a ter momentos com eles. Um dia eles crescerão, e não está na etiqueta o prazo. A gente vai percebendo a prestações e quando menos se espera já se foram, cada um para o seu canto, com suas próprias vidas e decisões. Para nós, pais, para matar a saudade de quando tudo era caótico, ficam os momentos gostosos de uma vida com as crianças.
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