Terça-feira, 12 de outubro, dia das crianças. Ótimo! O dia que Lucas tanto esperava já que havia passado o dia das mães, dos avós e dos pais, e ele só pensava quando chegaria o dia dos filhos, afinal. Bem, como bons pais que somos, eu e o Cacá resolvemos mostrar um jeito diferente de se divertir ao Lucas e o inscrevemos na Corridinha do Shopping Iguatemi. Mataríamos três coelhos com uma cajadada só: mostraríamos o que era saudável, nos divertiríamos e ensinaríamos o famoso espírito esportivo.
Ele estava tão feliz, empolgado, nao parava de pensar no dia que a prova iria acontecer. Pegava seu kit de corrida, treinava correndo pela casa da avó, vestia a camisa...Lindo que dava gosto de ver. Mas isso não iriar durar muito.
Chegamos ao local do evento. Tudo colorido, muitos balões, palhaços, brinquedos e pessoas. Já no estacionamento, Lucas demonstrou o que estaria por vir; "mãe, eu não quero ir". Ihhhh, eu e Cacá logo vimos, lá vem a famosa timidez do pequeno. Um pouco de conversa e argumentação e conseguimos levá-lo até lá. A largada da categoria 4 anos estava marcada para às 16horas, ainda era 15h30 e eu não via a hora de começar. Queria logo que a corrida começasse e não desse tempo para ele pensar em desistir. Sim, porque a questão era só o tempo, visto que o espaço que ele tinha que percorrer era mínimo, 50 metros.
Então ficamos nós, os pais, tentando passar empolgação. Tudo que a gente via, nós superlativizávamos; "olha, Lucas, um palhaço. Um palhaço, que massa!". "Vamos, filho, pintar. É tão maravilhoso pintar, né?".
Aí a organização começou a chamar os pequeninos. Foi uma loucura, era batutinha pra todo lado e eu e o
Cacá arrastando o Lucas pra lá e pra cá. Enquanto a gente procurava de onde seria a largada, ele simplesmente decidiu não ir. Olhou para a gente e disse com firmeza: eu não vou. É, e dessa vez nem chantagem, nem promessa de brinquedo, nem reza forte fez ele querer correr. Mas tanta personalidade tinha um motivo, ele tinha visto uma pessoa sem braço. Isso simplesmente paralizou o garoto. Lucas tá na fase dos medos e uma das coisas que ele tem mais pavor é de gente com alguma deficiência. Ele já ficou com medo até de pessoa que ficou rouca porque estava gripada.
Enfim, a vez dos pequenos passou, a pessoa sem braço foi embora e Lucas se vira pedindo uma medalha. Eu e o Cacá, que somos pais e fazemos tudo pelos nossos rebentos, fomos atrás da medalha. Óbvio que conseguimos, óbvio que ele curtiu, e ainda mais óbvio que, para todos os efeitos e para todos os coleguinhas dele, ele correu. E foi lindo.
Ah, nada como o espírito esportivo para fazer a gente enfrentar essa prova.
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